segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Livros que mexem com a gente [retrospectiva 2016]

Para quem está em outra sintonia
Adoro o autor. Já li muita coisa dele. Tudo me surpreende. Dessa vez, de um jeito mais autobiográfico, ele fala de luto de um jeito diferente. Não é dramático. É apenas real. Leve, irônico. Aposte.

A Zona do Desconforto (Jonathan Franzen)- a mãe morre. O filho precisa vender a casa. E depois conta sobre o prazer que tem ao observar pássaros (já narrado em “Como Ficar Sozinho”). Franzen escreve sobre a própria vida aqui. Imperdível.
Para tirar você do eixo
Ninguém, que eu saiba, quer ficar deprimido depois de ler um livro. Mas é difícil sorrir ao virar as páginas dessas duas dicas abaixo. A primeira é pesada mesmo. A segunda merece uma boa dose de reflexão.
Para Poder Viver (Yeonmi Park)- haja lágrima pra derramar. Não sobra nada depois disso. Talvez não sobre nada de você depois disso. Não julgue o livro pela capa.
Herege (Ayaan Hirsi Ali)- Forte. Ninguém lê isso e vai tomar sorvete de manga. É sapatada no meio do cara. Sociólogos vão pirar. Para ler mais sobre ela aqui no blog acessehttp://morellifala.blogspot.com.br/search?q=ayaan

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Para os amigos em regime eterno/veganos/ciclistas/alternativos [retrospectiva 2016]


Regras da Comida (Michael Pollan)- excelente como tudo o que escreve. E você nunca mais terá coragem de comprar nada para comer em um posto de gasolina. É possível viajar com essas idéias curtas em apenas um dia. Não se impressione: você dificilmente fará compras no supermercado frequentando os corredores errados, segundo o autor.

 Para ler mais sobre ele aqui no blog acesse este link
E semana que vem tem mais retrospectiva!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Literatura para quem gosta de livro de verdade [retrospectiva 2016]


Entro nessa lista. Gosto do que é denso. Que me engole. Aquele livro que eu começo a ler e vai me levando para um oceano profundo. Eu não consigo mais sair daquela atmosfera. E quero sempre ler mais. Se você tem algum amigo ou conhecido que se enquadra nessa lista, aqui vão as dicas.
Uma temporada no escuro (Karl Ove)- ele não deveria estar aqui. Karl Ove escreve os melhores livros. Rasgam a nossa alma. Viram a nossa cabeça do avesso. Uma tatuagem literária. O meu está autografado. Aconselho o leitor do blog a ler todos os títulos da série. Pode começar por este, ok?
Confissões de um jovem escritor (Umberto Eco)- uma das melhores surpresas do ano. Eu nunca havia lido nada dele e fiquei apaixonado. Ainda não tive coragem de encarar nenhum livro de Eco, mas o seu pensamento me encantou. É detalhista. Vale cada página. Ah...e é curtinho.
O Amor de uma boa mulher (Alice Munro)- sempre gostei dos seus livros. Dessa vez não foi diferente. Alice retrata mulheres e homens solitários em ambientes frios, sem vida. E traz para a superfície dores do passado. É ótima.

Istambul (Orhan Pamuk)- estava na lista há uns dez anos. Somente em 2016 tive a honra de percorrer as páginas maravilhosamente escritas por Orhan. Istambul nunca mais foi a mesma para mim. Ele descreve cada pedaço da cidade de um jeito único. 

Segunda que vem tem mais!

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Livros para quem é artista/músico/escritor/ [retrospectiva 2016]

Se você quer inspirar alguém, de verdade, inspirar aquela pessoa que tem bom gosto, procura coisas interessantes e tem talento para a leitura e um bom espaço na estante para impressionar as visitas, escolha:
Artistas e seus Referenciais (Simon Grant, organizador)- um dos livros mais bonitos que tenho em casa. Belíssima impressão. Textos profundos mas nem por isso longos. Ocupam quinze, vinte minutos, mas deixam que os pensamentos viajem, percorram museus, épocas e sentimentos. Fácil de achar nas lojinhas do Sesc. Link aqui
Como a Música Ficou Grátis (Stephen Witt)-começa bem, declina, mas no fim a gente entende que um simples funcionário de uma gravadora conseguiu quebrar o mercado de Cd´s em todo o mundo transformando para sempre as relações entre artistas e executivos. Poderia ser um livro menor, que não abordasse tanto o perfil de cada personagem. Mas é bom. É longo, detalhista, mas pra quem é nerd, tem dados valiosos. Uma diversão mesmo.
33 (Marcos Morelli) -meu primeiro livro, disponível na Amazon. Uma experiência sem precedentes. Fui feliz do começo ao fim. Trouxe as melhores lembranças. Conto quais são as minhas 33 músicas prediletas, uma para cada ano da minha vida. Misturo esses depoimentos com impressões sobre viagens, pessoas, épocas da minha vida. É curto, tem menos de 50 páginas. O link está aqui
Luz e Sombra entrevistas com Jimmy Page- questionar o Deus absoluto da guitarra sobre solos, erros, desafinações, é coisa de “gente macha”. Macha. E o entrevistador, jornalista musical, fez isso. As respostas são surpreendentes. Page descreve equipamentos, truques, motivos que o levaram a fazer determinada coisa e como funcionava o Led por dentro. Eram amigos, com bom relacionamento e muita vontade de fazer música mas não se viam fora das turnês. Um livro exemplar.
O Oitavo Selo (Heloísa Seixas)- sempre gostei do Ruy Castro. E já tinha lido um livros dos dois, escrito pelos dois. Falava de viagem. Aqui Heloísa conta todo o problema de abusos de álcool e drogas vivenciados por Ruy ao longo de sua vida. Uma biografia respeitável, com muito humor, mas com boa dose de reflexão.
Só Garotos (Patti Smith)- no fim entendemos que quem mais queria a fama não conseguiu chegar lá. E ela, que estava ausente desse universo, que só queria ter um trabalho e sobreviver, alcançou o universo dos ídolos do rock. Fala muito sobre estar no lugar certo e na hora certa.

Semana que vem tem mais.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Livros para presentear quem não gosta de ler [retrospectiva 2016]


Tem muita gente por aí que ganha livro sempre a não lê nada nunca. E a gente sempre acha que pode contribuir com a pessoa presentando com novos títulos.
Então, não falhe.
Vá pelas dicas abaixo:
Baseado em Fatos Reais (Delphine de Vigan)- livro com perfil de roteiro de filme. Texto enxuto, sem furos, que deixa pistas de algo estranho no ar. Boa diversão. Vale quanto pesa. Ideal para um final de semana chuvoso e preguiçoso. É relativamente curto e causa impacto na primeira página.
Gratidão (Oliver Sacks)- lindo. Um belo presente para quem precisa se reencontrar com a própria vida. É curto. Se bobear a pessoa termina a leitura em um dia.
Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida (School of Life)- uma viagem pessoal pelos próprios desejos. É pra quem gosta de fazer listas. Dê para aquele amigo que leva sempre um lápis e uma caderneta na bolsa.

Pequenos Prazeres (vários autores)- foi leve. Abriu o ano.

Segunda que vem tem mais!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A grande retrospectiva de 2016- Livros


Li muito em 2016. E a culpa disso é o Kindle. Justo eu que gosto de pegar o livro, sentir o cheiro, carregar o exemplar na bolsa, na mala de viagem, deixar tudo jogado perto do sofá, dando um ar de ocupação literária em casa. Ter um Kindle sempre significou a morte dessa paisagem cuidadosamente construída por mim ao longo dos últimos vinte anos.
Me tornei um leitor ainda na escola.
Na faculdade, mesmo sem tempo, fui conhecendo escritores que transformaram minha visão de mundo.
Na vida adulta, já morando em SP, comecei a estipular uma meta anual de leitura. Vou anotando todos os títulos que quero ter, ler e vou riscando um a um ao longo dos meses.
O problema é quer ter livros em casa é um baita problema. Não tenho mais espaço.
E novamente o Kindle, tão abominado, se mostra como uma ótima opção.
Então, desde junho, mudei os hábitos.
Comecei a ler também na hora do almoço. E nos finais de semana, passo horas em casa lendo, vendo, relendo livros.
Em 2016 foram mais de 20 títulos até agora.
Separei cada um deles em listas onde os temas/sensações/ possuem alguma relação.
Espero que goste!

Começa dia 7 de novembro!

Pra ler a lista de melhores do ano de 2015 clique aqui

Filme para ficar de olho


“Canastra Suja”, com direção de Caio Sóh, veio com tudo na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Encheu a sala do Cine Arte no Conjunto Nacional da Paulista. O público, atento, acompanhou cada detalhe da história tensa, bem tensa, retratada na telona. Arrisco aqui a dizer que o filme teve sim influência direta do Dogma 95, principalmente com a opção pela câmera em movimento em todas as cenas. Tem ritmo, tem ação, mas atmosfera de tensão não desparece em nenhum momento. Tudo é desmentido a cada novo frame.
O cinema brasileiro tem evoluído muito em narrativas. E tem despertado o interesse de um público cansado dos sucessos de bilheteria impulsionados por rostinhos famosos da novela. Aqui temos também dois atores que dispensam apresentações: Marco Ricca e Adriana Esteves. Mas os dois estão totalmente encobertos pelo papel que representam. Adriana Esteves é sim uma dona de casa da periferia. E Marco Ricca é sim um tipão rude, de coração bom, que só quer sustentar a família. Os três filhos do casal são representados por uma moça que trabalha em um consultório de dentista, uma que tem deficiência e vive acamada e o menino, que ganha muito destaque na trama, em um papel de contraposição à figura do pai. A tensão é criada a partir desse clima de desafio imposto pelo filho ao universo machista e rude do pai.
Dentro desse caldeirão surge um vizinho que namora a filha, é amigo do filho e...o resto você vai descobrir acompanhando essa trama que parece ter sido cuidadosamente criada para deixar os nervos pulsando a cada minuto.
Saia do lugar.

“Canastra Suja” é nota 10. 
Saiba mais aqui