segunda-feira, 18 de julho de 2016

Julieta é um dos melhores trabalhos de Almodóvar nos últimos anos


Almodóvar faz filmes que ficam cuidadosamente gravados na memória do público. Não importa se é um personagem marcante, uma cena incomum, uma música, um sentimento. Almodóvar traz para os cinesm um universo rico em cores, dramas, fracassos pessoais e conquistas, na mesma intensidade de quem vive essa vida real. Não existem super-heróis vestindo roupas de borracha e nem voando de um lado para o outro na cidade sem fim. São pessoas como eu e você, confusas, em crise, no ápice do sucesso pessoal, em dúvida, decididas e que vão experimentando o que a vida tem a oferecer.
"Julieta", que foi criticado desde que chegou aos cinemas, vem com toda essa magia, esse universo, que os fãs de Almodóvar conhecem bem.
Fala dessa coisa de ser mãe, filha, amiga, mulher e avó ao mesmo tempo. São mulheres fortes retratadas em cena, que levam o público a buscar referências na própria família.
O filme é baseado nos contos de Alice Munro, que, para quem já conhece, retrata esse conflito feminino, do ser mulher, em tudo o que escreve. Se Almodóvar soube caracterizar isso no cinema é outra história. Mas, deixando esse lado literário, de adaptação ou inspiração, o que temos em "Julieta" é uma obra de Almodóvar, com tudo o que já conhecemos de outros filmes.
"Julieta" entra para a galeria dos seus melhores trabalhos.

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segunda-feira, 4 de julho de 2016

5 covers que precisa conhecer


“Being Boring” do Pet Shop Boys com Dinho Ouro-Preto
A música é linda. Aí vem o Dinho e canta ela de um jeito ainda melhor, mais próximo de quem escuta.
“Save a Prayer” do Duran Duran com Eagles Of Death Metal
Porrada sonora estilosa, deprê e marcante. Não deixe de ouvir.
“If You See Him Say Hello” de Bob Dylan com Renato Russo
Tem uma letra tão profunda, tão triste, mas o Renato deu um tom de despedida. Tem um piano bacana e um violão simples e objetivo.
“Sentado à beira do caminho” de Roberto e Erasmo com Ira!
O disco que tem essa música só tem covers. A mais famosa é “Bebendo Vinho”. Mas, de longe, esta aqui bate fundo no coração.
“Vida Louca Vida” de Cazuza e Lobão com Ney Matogrosso
Ney a Cazuza sempre tiveram uma ligação. Mas aqui, nesse DVD novo do Ney, a música ganha um nervosismo adicional.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

5 parcerias que você precisa escutar


Vagabundo- banda com Ney Matogrosso e Pedro Luis e A Parede
Quando a música nos anos 2000 ficou chata demais, Ney Matogrosso marcou presença nesse duo inusitado e recheado de balanço, na medida certa.
Iggy Pop e Josh Home – Post Pop Depression
O disco saiu há alguns dias e já entrou na minha lista. Motivo? Lembra David Bowie. E ao mesmo tempo lembra um rock bom, simplista. Música pra andar de bike.
Lou Reed e David Bowie- Transformer
David Bowie faz os vocais misteriosos desse disco. Só vai saber quem ler os créditos do encarte. Vida longa ao bom gosto.
Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra/ Toumani Diabaté
Talvez você nunca tenha escutado algo tão psicodélico em toda a sua vida. É simplesmente ótimo.
Gilberto Gil e Jorge Ben Jor
É de 1975. Simplesmente vibrante. É música brasileira no seu estado máximo.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

The Next Day de David Bowie [o disco que voltei a ouvir como se fosse a primeira vez]


Faz dias que voltei a escutar o "The Next Day" do David Bowie, lançado em 2013. Eu comprei o disco que logo que saiu. E foi realmente um impacto positivo, de imediato.
O mesmo não ocorreu com o "Black Star", lançado em 2016. Ouvi bastante, gostei de muita coisa, mas não me acompanhou. Não foi um disco que deixei no celular pra ficar ouvindo.  O "The Next Day" ficou tocando por meses. Depois voltou para o celular. Aí tirei. E agora voltou.
E a relação com as músicas vai mudando. Quando comprei o disco me apaixonei por "Valentine´s Day", "Dancing out Space", "I´d rather be high" e "The Stars Are Out Tonight" e "If you can see me".
Depois fui gostando cada vez mais de "Love is Lost".
Aí tive uma época de pirar em ""Where Are We Now?".
Agora, nessa quarta fase de relacionamento sério com o disco, vem "Dirty Boys", que é incrível. Ou seja: quando comprei o disco, me apaixonei pelas mais apaixonantes. Depois percorri as mais complexas. E agora fui em uma das mais estranhas.
Bowie fez em "The Next Day" um trabalho que flertava com seu trabalho dos anos 80 como "Modern Love", com bateria, baixo, guitarra e sax rasgando a melodia. Rock de estádio. É barulhento e fala com a multidão. "Where Are We Now" não é a melhor do disco. É a mais triste, com andamento mais lento, sem grandes brincadeiras. Um anti single. O arrasa quarteirão do disco é "The Stars Are Out Tonight" com pegada de rock clássico do Bowie, com começo, meio e fim antológicos. A voz do Bowie está incrivelmente bem gravada. As guitarras são arrasadoras. Arrisco em dizer que entraria para a lista das dez mais do Bowie, levando em conta as fases dos anos 60 e 70. A dos 80 eu pularia por completo deixando apenas "Modern Love".
Os arranjos incrivelmente modernos de "Dancing Out Space", "If you can see me" e "I´d rather be high", trazem elementos dos anos 90, também incorporados por Bowie nos discos lançados nesse período. O U2 absusou muito disso. Bowie reviveu a sonoridade que anteriormente já havia experimentado.
Já "Black Star" desafia o ouvinte do começo ao fim. É um disco experimental. O encarte prova isso. Os toques de jazz que reinam por todo o disco são um elemento tão novo, mas tão novo, que ainda vai demorar para que todos entendam o que Bowie fez ali. Embora sejam vistos como discos que foram lançados no mesmo período, os dois marcam territórios bem distintos. O "The Next Day" é lindamente executado. "Black Star" é educadamente confuso. Começa sombrio e termina esperançoso.
Quem correu às lojas em busca do último trabalho do cantor se deparou com algo totalmente incoerente. Uma despedida sombria, triste, mas com uma fusão de jazz e rock impressionante. Alguns solos ali são maravilhosamente bem executados. Deixa o ouvinte de cabelo em pé.
Aliás, "Black Star" não "casa" com nenhum outro disco do Bowie. Ele é solitário na longa discografia do cantor. Marca um adeus. O que vier depois, e muita coisa chegará, pode ser diretamente influenciado por esse disco. Pesado, bem tocado e obscuro.


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Mais algum filme de super herói?


Acho que já perdi a conta de quantos filmes já saíram com super heróis lutando pela salvação do mundo ou deles próprios. O que eu poderia dizer é:
“Gente, Brigado mesmo pela participação. Agora a gente precisa virar o disco, ok?”
Eu me recordo que no começo dos anos 2000, com aquela febre de “Senhor dos Anéis” e do bruxinho de óculos, surgiam ainda o “Homem-Aranha” e “Batman”. Assisti a todos. Não gostei de nada. Cinco, seis anos depois, os mesmos filmes voltaram. E recentemente, os filmes voltaram de novo. Caramba meu! O pessoal envelhece, sabia? E as crianças, embora não tinham sido impactadas ainda pelos personagens, daqui a pouco vão cansar desse negócio todo. É um mercado sem fim, cíclico, com filmes que pouco acrescentam ou pouco modificam a vida dos fãs. Sempre mais do mesmo. E rendem muito. Isso é inquestionável. E vão render muito por muito tempo. O detalhe é que mesmo quando fazem um filme onde o personagem tem algum tipo de traço humano (é casado, tem trabalho, ou tem família, ou todo mundo morreu na casa dele, etc) são perfis muito parecidos.
É preciso mudar.

Em algum momento essa indústria vai precisar se reinventar.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Disco em questão: Minuano



Para os fãs dos Engenheiros do Hawaii todos os discos são bons. Não concordo. Na verdade alguns discos trazem clássicos atemporais, que nem sempre fizeram ou vão fazer sucesso. Mas em uma música ou outra, Humberto Gessinger sempre acerta a mão. A questão é analisar esse disco, que não é o melhor da banda mas trouxe ao público o estilo que o Gessinger adotaria desde então. Uma espécie de cópia dos Engenheiros, com um toque pessoal. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Meu primeiro livro lado a lado com Humberto Gessinger


Meu primeiro livro, "33", lançado há menos de um mês, sempre está entre os mais vendidos da Amazon no Brasil. Já foi primeiro, já caiu para entre os dez mais, e agora, para meu espanto, está atrás do livro de Humberto Gessinger, um dos meus heróis, citado no livro.
Isso é o que chamo de boa notícia.
O universo atrai coisas boas.

Conheça "33" aqui https://goo.gl/yOFrM0