terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Cadê os meus heróis? [Frejat dá adeus ao Barão Vermelho]


O primeiro CD que eu comprei com meu primeiro salário de jornalista foi justamente o primeiro disco solo do Frejat, o “Amor Para Recomeçar”. Tinha a participação do João Barone (Os Paralamas), letra em parceria com Lenine, Cazuza, Arnaldo Antunes (Titãs), Marisa Monte e George Israel (Kid Abelha).
Quando fiz dezoito anos fui à loja comprar uma coletânea do Barão, já na fase sem Cazuza. Eram dois discos em apenas um. Sensacionais. Puro blues. Puro questionamento. E lá vinham novas cacetadas sonoras com parcerias entre a banda e Arnaldo, Humberto Gessinger e Cazuza.
Nos meses seguintes, seguindo a sina, comprei os três primeiros discos do Barão, na época, relançados em CD. Depois o Frejat lançou o segundo disco solo, tão bom quanto o primeiro, o “Sobre Nós Dois E O Resto do Mundo”. E aí na época me perguntei se o Barão voltava ou já tinha ficado para trás. Frejat estava embalando as rádios com sons de rádio. Puro pop. De qualidade, super bem tocados, mas pop.
Mas aí eles lançaram aquele disco sensacional, ao vivo, gravado no Circo Voador. Caraca!
E esse hiato permaneceu até hoje. Mesmo o disco do Circo Voador era uma releitura de sucessos. Um grande show.
Acho que vou guardar aquela imagem. Ela é a que melhor traduz a fase Barão sem Cazuza. Uma plateia vibrando pra cantar sucessos. Um show quente.
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Barão é puro rock. É a essência cascadura/porrada do que foram os anos 80. É óbvio que o Cazuza conseguiu muitos outros sucessos em carreira solo. Mas tanto na fase Barão sem Cazuza quanto na fase Cazuza sem Barão, ambos tinham colaborações. “Ideologia” tem a assinatura de Frejat, só para ficar por baixo.
Mas nessa semana o Barão acabou. Acho que o Barão já tinha acabado mesmo quando lançou aquele disco estranho, o “Puro Êxtase”, com umas batidas meio eletrônicas por cima de bases de rock. Pegou mal.
Depois veio com um discão, que ninguém ouviu, com a capa toda vermelha, chamado apenas “Barão Vermelho”, mais de dez anos após o lançamento do primeiro álbum. Tinha coisa boa ali.  

Para mim, hoje, olhando para trás, o Barão com Cazuza é aquele do Rock in Rio e dos três primeiros discos, que são essenciais. Aquilo sim era um puro êxtase. 

para ler mais sobre o Barão Vermelho neste blog clique aqui
E sobre o Frejat, aqui 
E Cazuza aqui
Pra conhecer o meu livro, clique aqui 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Dois filmes fundamentais e fora do eixo “Cinemark” para ver ainda em 2016 (retrospectiva 2016)


Kóblic- Darín chuta o pau da barraca no estilo irmãos Coen. Nota 10.

Julieta- Almodóvar é Almodóvar. Me desculpem os puristas. Trata-se uma bela obra de arte.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O que Michael Stipe está fazendo da vida


Há 25 anos atrás o mundo recebia “Out Of time”, o sétimo disco do R.E.M que trazia uma canção que mudou os rumos da banda e da música nos anos 90 “Losing My Religion”.
Em 2011 o R.E.M acabou.
Michael Stipe virou um ativista político, fez participação em alguns shows de amigos e anda se expressando por meio de arte.

Veja aqui uma obra recente assinada por ele e atualmente exposta em Nova Iorque. 
O ex-vocalista do R.E.M também está produzindo o álbum "SIR" do duo de eletrônica Fischerspooner. 

Será que ele volta a gravar um disco solo?
Vamos aguardar. 

A grande retrospectiva de 2016- música


Belchior voltou
Pelo menos em uma caixinha com três Cd´s, podemos dizer que o Belchior, desaparecido desde 2009, voltou. Encartes originais preservados, um livreto simples explicando e contextualizando o leitor sobre a época em que as músicas foram escritas, se revelam um precioso presente para os fãs. Belchior não pode passar batido. Escute o disco “Alucinação” do começo ao fim.
“Coleção” Marisa Monte
Tem coisa boa. Tem coisa dispensável. Marisa é suprema. Somente por isso já mereceria estar em qualquer lista de melhores do ano.
“Tropix” da Céu
O melhor disco nacional de 2016. Fim.
“Est” Scandurra+Silvia Tape
Indie pop. As músicas funcionam bem no show e em estúdio ganham detalhes fofos. A relação com as canções é bem próxima. Eles cantam e tocam pra gente. Estão ali, do nosso lado, falando da vida. Silvia Tape e Edgard Scandurra surpreenderam. Trouxeram frescor ao pop atual.
Black Star do David Bowie
Não é o melhor disco dele. Ok. Concordo. Mas tem algumas coisas ali que tiram o ouvinte do lugar comum. É pra ser ouvido com muita atenção. Comece por “Lazarus”. Depois vá para “Tis a Pity She Was a Whore”. Dois depois tente “Dollar Days”. E aos poucos você consegue ir sugando a alma obscura desse discaço do Bowie.
“Schmilco” do Wilco
É bem calminho. Você vai se acostumar. A capa é bem bacana também. Se colocar na prateleira o verde vai sempre atrair sua atenção. Logo, você vai sempre ouvir Wilco. Divirta-se.
“Cleopatra” do Lumineers
Ouça no mesmo dia do disco do Wilco. Calminho, bem feito, melodias fofas. Não é indie. Tem personalidade própria. Por curiosidade: quem está na capa é Theda Bara (dê um Google aí).
“I Still Do” do Eric Clapton

Acompanhado de um copo de um bom whisky, Clapton sempre vai bem. É sofisticado. A melhor do disco é justamente um cover de Bob Dylan- "I Dreamed I Saw St. Augustine"

“A Moon Shaped Pool” do Radiohead

Difícil dar uma dica, ou fazer um guia, para quem não gosta de Radiohead. Mas esse é o grande lançamento do ano no mundo da música. É ouvir várias vezes mesmo até gostar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Quer saber o que rola? Vá para as ruas

A Semana Internacional de Música que aconteceu em São Paulo é sem dúvida um dos eventos mais legais, ao lado do In Edit (mostra de documentários musicais). Fugindo de todos os padrões estipulados por uma indústria falida e massificada (vide os sertanejos e funkeiros de plantão) podemos ter acesso, em eventos como os citados anteriormente, ao que existe de mais novo e arejado no mundo da música.
São artistas que vão tocar na novela? Não. São artistas que rebolam e mostram o corpo? Não. Você encontra os caras durante o evento vendendo camisetas, vinis, Cd´s e outros objetos com a marca da banda. A questão aqui não é mais massificar a música mas reunir gente interessada em música. Não vão abrir a Festa do Peão de Barretos. Nem irão Luciano Huck. A Tv nem está mais preparada para apresentar novidades ao público. E o público da TV não quer saber de coisa nova.
Quem quer coisa nova vai se encontrar gente com os mesmos interesses. Ver uma banda ao vivo, que veio do outro lado do mundo, se apresentar, se conectar com o público, é diferente de estar espremido entre milhares de pessoas com copo de cerveja na mão cantando hinos radiofônicos. Existem milhares de espaços que abrigam esse tipo de público. E quando falta espaço, os shows ocorrem nas praças, em jardins, na calçada. Mas o importante é que acontecem.
Essa economia criativa, focada no “fazer” e não no “ganhar” ainda está engatinhando. Tem chão pela frente. Mas vem conseguindo tirar da grande mídia o status de mãe suprema das novidades.
 E o público sempre se surpreende com coisa boa e nova.

Viva o que é bom. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Sem marca, sem firulas: esse é o novo disco dos Stones


É um prazer comprar um disco novo dos Stones. Mesmo que seja um relançamento. Mesmo que seja o raspa tacho de algum show ao vivo perdido nos arquivos da banda. É sempre um prazer.
Mas o “Blue & Lonesome” que veio ao mundo neste mês estabelece um novo patamar.
Vamos aos fatos:
1-Chega de hits. Agora os Stones focaram nas raízes do próprio trabalho. Ouça o último disco solo de Keith Richards, o “Cresseyed Heart” e depois emende com “Blue & Lonesome”. Os Stones são e sempre foram isso.
2-Nada de horas e horas de regravações e uma busca desenfreada pela perfeição técnica. O disco foi gravado em 3 dias em esquema pá pum. Sentimos uma grande banda ao vivo, sentimos o respiro dos instrumentos.
3-Quem hoje tem poder para convidar Eric Clapton e não dar tanta publicidade nisso? Os Stones. Você só descobre que Clapton toca em duas faixas se ler o encarte. Ele gravava no mesmo estúdio e foi até o estúdio dos Stones dar uma canja.
4-Quem hoje não escreve o próprio nome na capa de um disco? Os Stones. É uma capa toda azul com a língua, marca registrada da banda, totalmente diferente daquilo que já vimos centenas e centenas de vezes.
5-Mick Jagger na gaita. Dispensa apresentações.
6-Tem uma música ali, com Clapton nas guitarras, que já foi regravada pelo Led Zeppelin. Meu Deus. É a “I Can´t Quit You Baby”.
7- A banda estava gravando um disco novo. E nos ensaios mandaram um blues. Foi registrado. Dali nasceu o disco. Ou seja: tem mais coisa pra vir em breve. Ou algum resto de gravação desse “Blue & Lonesome” ou alguma coisa que ficou gravada para esse disco dos Stones que ainda não chegou.
8-É só cover? Sim. E imagine a responsabilidade de regravar o que Jagger e Richards mais cultua? Sobrou pra Wood e Watts darem conta do recado. Sinceramente “Blue & Lonesome” é um disco dos dois, feito em homenagem aos monstros blueseiros americanos que deram inspiração aos primeiros trabalhos dos Stones.
9-É um disco de música adulta. Não espere canções melódicas.

10-Um belíssimo presente de Natal para os ouvidos mais apurados. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Livros para jornalistas [retrospectiva 2016]

Para jornalistas
Um de Nós (Åsne Seierstad)- é um grande livro, uma grande experiência literária, que, ao contrário de “Como a Música Ficou Grátis” encaixa as peças e o perfil dos personagens de maneira muito bem construída. Trata-se da biografia do autor dos atentados que mataram mais de 70 pessoas na Noruega. Um retrato muito bem elaborado de uma mente doentia, que cresceu, se expandiu, continuou solitária e terminou com a morte de jovens inocentes em uma ilha. Eu atravessei as páginas como quem atravessa um deserto em busca de água.
O Clube do Filme (David Gilmour) - embora seja um pouco antigo, lançado há alguns anos, é simpático. Conta a história de um pai que resolver criar o filho em casa, sem escola. Vai ensinar ao jovem tudo o que sabe da vida por meio de filmes. É claro que tudo desanda, mas o caráter consciente do pai, que também passa por uma crise pessoal, dá um tom heróico ao livro. Vale a pena. É um belo presente.

Stasilândia (Anna Funder)- esse é para jornalista. Conta a história de pessoas que sobreviveram na época da separação da Alemanha em Oriental e Ocidental. A Stasi, polícia do lado oriental, era uma máquina de pressão e vigilância. Os segredos, que ainda hoje são descobertos aos poucos, são contados aqui. Boa leitura.